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O Rio além do petróleo
O Rio de Janeiro permaneceu como capital
do Brasil até o ano de 1960. Com a mudança
da capital para Brasília, criou-se uma indefinição
do papel do novo estado perante o Brasil. As décadas
seguintes foram marcadas pela desindustrialização
da Região Metropolitana e pela transferência
do setor financeiro da cidade do Rio de Janeiro para São
Paulo.
Passados quase 50 anos deste esvaziamento
político e econômico, o Rio de Janeiro dá sinais
de reencontrar suas vocações e potencialidades,
redefinindo seu papel na federação brasileira.
Atualmente, o Estado do Rio de Janeiro passa por uma fase
de grandes investimentos, que chegam a quase R$ 100 bilhões.
A conjuntura política também é favorável.
Registra-se um inédito alinhamento entre os governos
federal, estadual e municipais, incluindo a Prefeitura da
Cidade do Rio de Janeiro, que permite que esses investimentos
sejam articulados com os interesses e as necessidades da
sociedade fluminense.
É verdade que grande parte desses
investimentos está ligada a um importante recurso
natural, que é a existência de abundantes reservas
de petróleo na Bacia de Campos no Norte Fluminense.
Estão previstos investimentos da ordem de R$ 56 bilhões
na exploração e produção de petróleo
e gás naquela região nos próximos quatro
anos.
Mas nem só de produção
de petróleo vive a economia fluminense. Estão
previstos também investimentos da ordem de R$ 21 bilhões
no refino do petróleo. O Comperj, em Itaboraí,
e a Reduc, na Região Metropolitana, são refinarias
petroquímicas que agregam valor ao petróleo
e ao gás extraídos da Bacia de Campos. Essas
refinarias fornecem insumos para outras indústrias
químicas que já se encontram ou virão
se instalar nessas regiões. A reforma da Reduc permitirá sua
adequação às novas exigências
ambientais de qualidade e segurança mundiais. O Comperj
também será uma refinaria de padrão
internacional. Contará com uma tecnologia de ponta,
sendo capaz de refinar o óleo pesado da Bacia de Campos
e gerar subprodutos com alto valor agregado.
Ainda na área de energia, cabe citar
a construção do Gasoduto Vitória-Cabiúnas,
no valor de R$ 4 bilhões de reais, e a instalação
do Terminal de Gás Natural Liquefeito, na Baía
de Guanabara, no valor de R$ 300 milhões. O grande
significado destes investimentos é dar segurança
energética ao investidor.
O Estado do Rio de Janeiro vem se consolidando
também como um importante pólo siderúrgico
do Brasil. Além da existência da tradicional
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda,
também estão previstos investimentos da ordem
de R$ 13 bilhões em três novas siderúrgicas.
A ThyrsenKrupp CSA – Companhia Siderúrgica está implantando
uma usina com capacidade de processamento de 5 milhões
de toneladas de aço/ano, voltada, nesta fase, à exportação.
A CSN está discutindo com o governo estadual um plano
de investimentos que contempla a instalação
de uma nova usina, em Itaguaí, além de aumentar
o valor agregado dos produtos da unidade de Volta Redonda.
A Votorantim está em negociação para
a implantação de uma usina não integrada,
em Resende, para atuar no mercado de produtos não
planos. O fortalecimento do setor siderúrgico no Rio
de Janeiro é muito importante para dar vigor a outras
indústrias, como a automobilística e a de construção
civil, que têm grande encadeamento com outros setores
produtivos.
Além desses investimentos industriais
produtivos, o Estado do Rio de Janeiro também contará com
a alocação de cerca de R$ 2 bilhões
em logística. O estado se situa no sudeste, a região
geoeconômica mais importante do país, que responde
por mais de 50% do PIB brasileiro. Sua posição
privilegiada é reforçada pela extensão
de sua linha de costeira de 636 km. Assim, serão investidos
R$ 200 milhões na dragagem Porto de Sepetiba, melhorando
as condições para a exportação
das siderúrgicas instaladas naquela área. Outro
investimento importante é a construção
do Porto do Açu, orçada em R$ 700 milhões,
que incrementará o apoio logístico à produção
e comércio de petróleo da Bacia de Campos.
Finalmente, está orçada em R$ 650 milhões,
a construção do Arco Metropolitano do Rio de
Janeiro. O Arco ligará Itaguaí a Itaboraí,
passando por fora da cidade do Rio de Janeiro e deslocará o
fluxo de cargas que cruza a cidade para atravessar a Baía
de Guanabara. Essa obra faz parte PAC, do governo federal,
e conta a elaboração de um Plano Diretor, por
parte do governo estadual, que mapeará a ocupação
do entorno desta via de forma ordenada, respeitando as vocações
locais e promovendo o desenvolvimento dos municípios
da Baixada Fluminense.
Outro investimento importante, da ordem
de R$ 2 bilhões, e alinhado com a vocação
turística do estado é a construção
de três resorts cinco estrelas ao longo da zona costeira,
em Cabo Frio e Marica. Esses empreendimentos gerarão
emprego e renda e incrementarão o turismo. O Rio de
Janeiro é o estado mais visitado do Brasil, recebendo,
em 2006, 1,6 milhão de turistas estrangeiros e 4,5
milhões de turistas brasileiros e atraindo 32% dos
turistas estrangeiros que vieram ao Brasil.
Uma nova alternativa à geração
de emprego e renda é a recente aprovação,
pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro,
do projeto de lei, que institui o Zoneamento Ecológico
Econômico (ZEE) no Rio de Janeiro. A nova lei visa
o ordenamento e a regulamentação da silvicultura
econômica no território fluminense, como o plantio
de eucalipto, para a produção de papel e indústria
moveleira. A nova lei leva em conta as diferentes condições
ambientais de cada região fluminense. As empresas
deverão plantar 20 hectares de espécies de
Mata Atlântica para cada 100 hectares de monocultura
implantada. Esses percentuais dependem do nível de
degradação do solo já existente em diferentes
regiões. O menor percentual de exigência será nas
regiões do Norte e Noroeste fluminenses, que sofrem
processo de desertificação. Em outras regiões,
como a Serrana, haverá exigências mais rigorosas,
no sentido de se preservar áreas de Mata Atlântica
ainda existente. Já nas áreas de Parati, Angra
dos Reis e Mangaratiba, onde há grande concentração
de Mata Atlântica, a nova lei é ainda mais
rigorosa que a anterior existente.
Felizmente, o Rio de Janeiro mantém-se
como pólo cultural do Brasil. A Cidade do Rio de Janeiro
firmou-se como um pólo gerador de cultura e agregador
de artistas. Esta tendência fortaleceu-se ao longo
dos anos pela presença da TV Globo. Além disso,
a arquitetura histórica e variada, além do
clima propício, faz com que o Rio abrigue 65% da produção
nacional de cinema.
Além de pólo cultural a Cidade
do Rio de Janeiro é importante formadora de mão-de-obra
qualificada. A presença de um grande número
de universidades e centros de pesquisa de excelência
além de uma infra-estrutura básica (maior pólo
de telecomunicações do país) faz da
capital um importante Pólo de Tecnologia da Informação.
É verdade também que o povo
fluminense tem trabalhado para se fortalecer suas vocações
mais naturais. Neste sentido o Governo Sérgio Cabral
vem se esforçando para resgatar a importância
do estado, tratando-o como uma questão nacional.
Além do desafio da construção
de novas estratégias, o Estado do Rio de Janeiro vem
se empenhando em dar ao Brasil transformações
exemplares no campo da administração pública
e da equação social. As favelas da Rocinha,
de Manguinhos e do Alemão receberão investimentos
da ordem de R$ 1,2 bilhão para urbanização,
saneamento e integração com a malha urbana.
O Governo buscará aumentar sua capacidade
de investimento através de um ajuste fiscal e de um
programa de melhoria da qualidade do gasto público.
Pretende-se criar no Rio de Janeiro um ambiente de negócios
pró-mercado, contemplando a concessão de incentivos
financeiros e tributários para atrair novas empresas
e fortalecer as existentes, pautando sempre esses investimentos
com responsabilidade sócio-ambiental.
O fortalecimento da economia fluminense
depende também de uma articulação do
poder de compra que consiste em incentivos para que as empresas
do Rio de Janeiro busquem seus fornecedores dentro do estado.
A idéia é apoiar o desenvolvimento regional
e os arranjos produtivos locais como dinamizadores da economia
do interior.
Um desenvolvimento perene do Rio de Janeiro,
além do atual ciclo do petróleo, depende também
da solução de questões chaves, como
segurança, educação, habitação
e desemprego. A idéia é que a revitalização
da Região Metropolitana, através dos novos
investimentos produtivos e sociais, a transforme numa área
de padrão internacional, num local de convivência
humana excelente e pacífica.
O Governo Sérgio Cabral vêm
trabalhando para que o ciclo de novos investimentos traduza-se
em desenvolvimento econômico. Embora condição
necessária, não basta que haja investimentos. É preciso
ter políticas públicas para que essa onda se
converta também em inclusão social e redução
da desigualdade, ordenamento urbano, enfim, melhoria da qualidade
de vida da sociedade fluminense.
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